Dior Cruise 2018 – Sauvage Collection

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Modelo autoral chama a atenção por ser diferente, mas sem perder a característica que lhe confere estilo e hegemonia

O que tem de diferente numa gravata de sete dobras? O modelo, clássico da alfaiataria italiana, é um ícone de elegância da moda masculina. É feito com apenas um pedaço de tecido, dobrado sete vezes até chegar ao formato de uma gravata. Agora ganhou uma releitura bem brasileira, com o olhar atento da estilista Svetlana Morbini. Ela se valeu da ideia secular, criou uma modelagem autoral contemporânea, deixou a seda de lado, investiu no algodão em jacquards coloridos. E está fazendo um sucesso danado!

Arlindo Grund, um dos mais admirados entre os maiores digital influencers do Brasil conheceu e logo incorporou a peça no seu figurino. Ele tem um blog e também apresenta um programa de moda, além de alimentar com avidez as suas redes sociais. “Impressionante como uma foto dele com a minha gravata gerou comentários”, surpreende-se a criadora do produto que também atraiu o estilista e consultor Mário Queiroz. Com currículo notável dentro da produção nacional da moda masculina e ainda doutor no assunto – lecionando em escolas de Moda pelo país -, Queiroz participou como convidado da 1ª Design Business Fair – que aconteceu em Florianópolis entre 03 e 07 de maio. “Ele ficou encantado com o que viu. Me elogiou, observou o trabalho, o acabamento artesanal. Fiquei emocionada”, confessa Svetlana Morbini.

A gravata é realmente diferente. Confortável, não leva forro, nem entretela. O próprio tecido dobrado garante a estrutura necessária para se adequar aos nós e se acomodar sobre o corpo com um caimento perfeito. A opção por tecido de algodão veio do seu olhar atento ao país. “O Brasil traz uma característica própria, de alegria, descontração. Além de ser um lugar onde a maior parte do seu território vive de sol o ano inteiro”, analisa a estilista com motivos bem convincentes. Ela é russa. Nasceu na Sibéria e se mudou para Florianópolis (SC) movida por um grande amor. Casou, cursou faculdade de Moda numa das escolas da cidade e focou seu trabalho de conclusão no segmento masculino.

– Apesar de viverem nesse país com características tão tropicais, os homens ainda não se libertaram de algumas amarras clássicas. Usam sempre as mesmas coisas. São poucos o que se arriscam num figurino um mais ousado, analisa a designer de moda. Sem medo algum, ousou investir na mudança desse cenário. “Escolhi a gravata por ser o símbolo mais contundente do guarda-roupa masculino. Não que seja exclusivo. Mulher também usa. Mas é próprio deles. Só que os homens precisam saber que podem aproveitar muito mais as possibilidades que a gravata lhes permite”, incentiva Morbini.

No início deste ano ela criou a sua primeira coleção. A inspiração veio dos contrastes que notou em Dubai, quando esteve nos Emirados Árabes. Sua pesquisa fez com que se voltasse para cores intensas, contrastantes, mas aplicadas de uma forma sutil, interessante, instigante. O resultado é uma coleção alegre como ela sempre imaginou que os homens daqui deveriam ser. As peças casam perfeitamente com composições mais sóbrias, clássicas, mas se permitem a dialogar com diversos estilos. Inclusive se adaptando a produções femininas. Quebrando a sisudez, mas sem perder o estilo e a elegância característica que a gravata impõe.

Svetlana e Mário Queiroz

Svetlana Morbini

www.svmorbini.com.br

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